Mercado de NFTs em 2025: Vendas Caem Enquanto a Busca por Utilidade Ganha Força
São Paulo, Brasil – O mercado de Tokens Não Fungíveis (NFTs), que em 2021 vivenciou um período de euforia com vendas milionárias, apresenta um cenário significativamente diferente em 2025. Dados recentes indicam uma forte retração nos volumes de negociação, com compradores priorizando cada vez mais a utilidade, a comunidade e a relevância a longo prazo, em vez de apenas preços estratosféricos.
Em 2021, o artista digital Beeple vendeu um de seus NFTs por impressionantes US$ 69,3 milhões (aproximadamente R$ 415,8 milhões) em um leilão da Christie’s. Cerca de um ano depois, o empresário de blockchain Deepak Thapliyal adquiriu um NFT da coleção CryptoPunk (uma coleção pioneira de arte digital em formato de NFT) por US$ 23,7 milhões (cerca de R$ 142,2 milhões), marcando uma das vendas de arte digital mais caras da história. Esses foram os “dias de glória” dos NFTs, quando colecionáveis digitais frequentemente alcançavam valores de oito dígitos e instituições tradicionais corriam para legitimar o mercado.
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O Mercado de NFTs em 2025 sob Pressão
O ano de 2025 começou com o mercado de NFTs sob forte pressão. No primeiro trimestre, as vendas caíram 63% em comparação anual, atingindo US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 9 bilhões), uma redução em relação aos US$ 4,1 bilhões (cerca de R$ 24,6 bilhões) registrados no mesmo período de 2024. A desaceleração se intensificou em março, quando as vendas mensais despencaram 76%, para US$ 373 milhões (cerca de R$ 2,238 bilhões), em comparação com US$ 1,6 bilhão (cerca de R$ 9,6 bilhões) no ano anterior.
Em novembro, as vendas de NFTs atingiram o nível mensal mais baixo do ano, com a capitalização de mercado (o valor total de todos os NFTs no mercado) dos colecionáveis digitais caindo mais de 66% em relação aos picos de janeiro. Dados da CryptoSlam revelam que as vendas mensais foram de US$ 320 milhões (cerca de R$ 1,92 bilhão), aproximadamente metade dos US$ 629 milhões (cerca de R$ 3,774 bilhões) registrados em outubro.
Apesar da ampla desaceleração, algumas coleções específicas continuaram a atrair compradores. A coleção Pudgy Penguins registrou US$ 72 milhões (cerca de R$ 432 milhões) em vendas no primeiro trimestre, um aumento de 13% em relação ao ano anterior, potencialmente impulsionada por uma transição do mercado além da Web3 (a terceira geração da internet, focada em descentralização e blockchain) para uma marca de brinquedos físicos.
Coleções de “blue-chip” (projetos estabelecidos e de alto valor) de longa data também se inclinaram para o posicionamento cultural em vez de apenas o momentum de preço. Em maio, a Yuga Labs vendeu os direitos de propriedade intelectual da coleção CryptoPunks para a Infinite Node Foundation, uma fundação sem fins lucrativos. Essa medida visa colocar um dos projetos de NFT mais antigos sob uma “tutela cultural” de longo prazo. O “floor price” (preço mínimo pelo qual um NFT de uma coleção pode ser comprado) do CryptoPunks atualmente está em 26,99 ETH, uma queda de aproximadamente 78% em relação ao seu pico de 125 ETH em agosto de 2021, mas ainda suficiente para mantê-lo como a principal coleção de PFP (Profile Picture, ou imagem de perfil) NFT.
No momento da redação, dados da CoinGecko mostram que a capitalização de mercado total dos NFTs caiu para cerca de US$ 2,56 bilhões (aproximadamente R$ 15,36 bilhões). No auge da febre dos NFTs em abril de 2022, a capitalização de mercado era de cerca de US$ 16,8 bilhões (aproximadamente R$ 100,8 bilhões).
NFTs: Da Especulação para o Uso no Mundo Real
Enquanto o interesse em NFTs de PFP (imagens de perfil) esfriou em grande parte do mercado cripto, os NFTs vinculados a casos de uso do mundo real continuam a ganhar tração.
Marketplaces como o OpenSea ampliaram seu foco para se tornarem centros universais de negociação “on-chain” (na blockchain), enquanto a atividade mais recente no espaço tem se concentrado em NFTs ligados a ingressos e bens físicos. Organizações esportivas internacionais continuam a experimentar com NFTs para acesso a eventos, incluindo a FIFA, que está utilizando tokens “Direito de Compra” baseados em blockchain como parte de sua abordagem de venda de ingressos para a Copa do Mundo de 2026.
Esses NFTs dão aos portadores acesso prioritário para comprar ingressos pelo valor de face, em vez de garantir a entrada, como uma forma de limitar a especulação de preços em mercados secundários. De acordo com dados da FIFA Collect, os NFTs de reserva para jogos envolvendo seleções como Argentina, Espanha, França, Inglaterra e Brasil foram precificados em US$ 999 (cerca de R$ 5.994) e esgotaram.
Outro segmento de NFT que demonstra resiliência em 2025 são os NFTs lastreados em colecionáveis do mundo real, particularmente cartões colecionáveis. Plataformas como Courtyard.io surgiram nesse nicho, conectando cartas Pokémon a tokens on-chain (na blockchain). A Courtyard armazena cartas autenticadas em cofres, permite que os usuários as negociem como NFTs e oferece pacotes misteriosos que podem ser resgatados ou revendidos, combinando a verificação por blockchain com a mecânica tradicional de colecionismo.
Nos últimos 30 dias, a empresa processou mais de 230.000 transações e gerou cerca de US$ 12,7 milhões (aproximadamente R$ 76,2 milhões) em vendas, conforme dados da CryptoSlam.
Nicolas le Jeune, CEO da Courtyard, afirmou que a abordagem de sua empresa reflete uma mudança mais ampla na forma como os NFTs estão sendo utilizados, tratando a infraestrutura blockchain como um meio, e não como o produto em si. Ele enfatizou que a tokenização (o processo de converter um ativo em um token digital em uma blockchain) por si só não cria valor. “As cartas que você compra na Courtyard não valem mais porque são NFTs. O valor é o ativo subjacente — o NFT apenas oferece uma maneira melhor de experienciá-lo”, disse le Jeune.
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Fonte: Cointelegraph (Tradução e Adaptação: GranaBit)



