A trégua de duas semanas entre Estados Unidos e Irã sacudiu os mercados globais e impulsionou o Bitcoin (BTC) na última terça-feira, com a criptomoeda registrando uma alta de 6% em menos de quatro horas. O movimento surpreendeu muitos investidores, resultando na liquidação forçada de posições de futuros de Bitcoin alavancadas, totalizando cerca de R$ 1,68 bilhão (equivalente a US$ 280 milhões).
Embora a notícia tenha gerado otimismo inicial, levando a um rali em linha com os ganhos nos mercados de ações, uma análise mais aprofundada dos derivativos de BTC sugere que o ímpeto de alta pode ser limitado. O cenário geopolítico, a inflação persistente e os desafios regulatórios nos EUA continuam a manter os “ursos” (investidores com apostas na baixa) ativos, levantando a possibilidade de uma correção que pode levar o Bitcoin à marca de R$ 408.000 (US$ 68.000).
A correlação do Bitcoin com os futuros do S&P 500, índice que reflete as maiores empresas dos EUA, indica que o rali da criptomoeda foi amplamente impulsionado pela expectativa de uma reabertura do Estreito de Ormuz. O presidente dos EUA, Donald Trump, havia sinalizado que o programa nuclear iraniano seria desativado em troca de alívio de tarifas e sanções. No entanto, o vice-presidente JD Vance logo alertou que a trégua é “frágil”, jogando um balde de água fria nas expectativas de um fim rápido para as tensões e reacendendo as esperanças dos pessimistas do Bitcoin.
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Entenda o movimento
- O impacto da geopolítica: Uma desescalada sustentável no conflito Irã-EUA poderia, em tese, levar a uma redução nos preços do petróleo e a uma menor pressão inflacionária, abrindo caminho para políticas monetárias mais expansionistas. Isso faria com que o Federal Reserve (Banco Central dos EUA) se sentisse mais confortável para cortar as taxas de juros, o que historicamente favorece ativos de risco como o Bitcoin. Contudo, apesar do rali, o posicionamento nos derivativos de BTC não apresentou grandes mudanças, indicando que o mercado ainda não está convencido de uma alta sustentável.
- Derivativos e o sentimento do mercado: O interesse em aberto agregado nos contratos futuros de Bitcoin, que representa o número total de contratos não liquidados, atingiu 593.930 BTC na quarta-feira, um aumento de 2,5% em relação à terça-feira. No entanto, liquidações na casa de R$ 1,2 bilhão a R$ 1,8 bilhão (US$ 200 milhões a US$ 300 milhões) são relativamente comuns, tendo ocorrido outras cinco vezes nos últimos 90 dias. Esse evento de R$ 1,68 bilhão é pequeno em comparação com o total de R$ 252 bilhões (US$ 42 bilhões) na posição agregada de futuros. Além disso, o prêmio anualizado dos futuros de Bitcoin de 2 meses em relação ao mercado à vista (spot) permaneceu em 3% na quarta-feira, sem alteração em dois dias, e abaixo do limite neutro de 4% desde o final de janeiro, sinalizando baixa demanda por posições otimistas.
- Barreiras regulatórias e políticas: A confiança dos “touros” (investidores com apostas na alta) do Bitcoin já havia sido abalada por eventos como o “flash crash” de 10 de outubro de 2025, a decepção com a regulamentação e a falta de progresso na criação de uma Reserva Estratégica de Bitcoin dos EUA. O projeto mais recente da Lei PARITY, por exemplo, não incluiu isenções fiscais para pequenos pagamentos em Bitcoin ou ganhos de capital diferidos para a mineração. Paralelamente, David Sacks deixou o cargo de “czar” de IA e criptomoedas da Casa Branca em 26 de março, e o Partido Democrata dos EUA solicitou uma investigação sobre os empreendimentos em criptomoedas da família Trump, levantando preocupações sobre conflitos de interesse.
Em meio a esse cenário complexo, não há indícios de que os investidores pessimistas estejam se apressando para fechar suas posições vendidas, apesar do rali recente. A pressão inflacionária ainda não cedeu, com os preços do petróleo Brent se mantendo em R$ 570 (US$ 95) por barril, acima dos R$ 432 (US$ 72) vistos no final de fevereiro. Mais importante, uma trégua de apenas duas semanas está longe de ser uma solução de longo prazo, deixando a possibilidade de uma correção do Bitcoin para R$ 408.000 (US$ 68.000) em aberto, com o mercado monitorando de perto os próximos capítulos dessa trama geopolítica e econômica.
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Fonte: cointelegraph.com (Adaptação: GranaBit)



