A Coreia do Sul deu um passo firme na regulamentação do mercado de criptomoedas ao impor uma nova regra: todas as corretoras (exchanges) deverão conciliar seus registros internos com os saldos reais de ativos a cada cinco minutos. A medida, anunciada pela Comissão de Serviços Financeiros (FSC), busca reforçar os controles internos do setor após uma inspeção revelar falhas significativas.
A diretriz surge como resposta a uma inspeção de emergência que expôs vulnerabilidades operacionais, especialmente após o incidente de distribuição indevida de fundos pela corretora Bithumb. A investigação revelou que três das cinco maiores exchanges do país realizavam a reconciliação de saldos apenas uma vez a cada 24 horas, um intervalo considerado insuficiente para uma resposta rápida a eventuais discrepâncias. Adicionalmente, os sistemas de interrupção de negociações em caso de grandes desequilíbrios foram classificados como inadequados, levantando preocupações sobre a capacidade das plataformas de gerenciar erros de larga escala.
Em fevereiro, a Bithumb se viu no centro das atenções ao distribuir equivocadamente uma impressionante quantia de 620.000 Bitcoins (BTC) a 249 usuários durante um evento promocional. Embora a corretora tenha anunciado que recuperou 99,7% dos fundos no mesmo dia, os 0,3% restantes, equivalentes a 1.788 BTC que já haviam sido negociados, foram cobertos pelas reservas da própria empresa. O episódio serviu como um catalisador para a revisão regulatória, destacando a urgência de processos mais robustos e frequentes.
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Entenda o movimento
- Fortalecimento dos Controles Internos: As novas regras exigem que as corretoras implementem sistemas automatizados para a reconciliação (conferência entre registros e ativos reais) de livros-razão e carteiras digitais a cada cinco minutos. Além disso, critérios claros para a suspensão automática de transações em caso de inconsistências significativas deverão ser estabelecidos.
- Maior Fiscalização e Transparência: Reguladores coreanos estão pressionando por mudanças abrangentes nas operações internas. Processos considerados de alto risco, como pagamentos promocionais, passarão a exigir supervisão mais rigorosa, incluindo verificações de terceiros e sistemas de aprovação em múltiplos níveis. Contas de alto risco deverão ser separadas, e ferramentas de verificação automatizada para pagamentos se tornarão obrigatórias. Auditorias externas, antes trimestrais, passarão a ser mensais, e as divulgações de informações se expandirão para incluir saldos detalhados de ativos por carteira e livro-razão.
- Impacto no Mercado e Reação das Empresas: A FSC e a Digital Asset Exchange Alliance (DAXA) planejam finalizar as mudanças nas regras até abril deste ano. Em um movimento alinhado a essa nova realidade, a Bithumb anunciou o adiamento de seu IPO (Oferta Pública Inicial) para depois de 2028, focando no fortalecimento de suas políticas contábeis e controles internos até 2027, em parceria com a Samjong KPMG. Essa reestruturação demonstra a seriedade com que as corretoras estão encarando a pressão regulatória, que busca elevar os padrões de segurança e conformidade do setor de ativos digitais na Coreia do Sul.
O cenário atual indica uma clara tendência de maior escrutínio regulatório sobre o mercado de criptoativos na Coreia do Sul, impulsionado por eventos recentes e a necessidade de proteger investidores. As empresas do setor estão sendo compelidas a se adaptar rapidamente a um ambiente de maior transparência e controle, o que pode servir de modelo para outras jurisdições que também buscam aprimorar a segurança e a integridade de seus mercados de criptomoedas.
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Fonte: cointelegraph.com (Adaptação: GranaBit)



