O Banco Central (BC) manteve em 1,6% a projeção de crescimento da economia brasileira para 2026, mas alertou que essa previsão está sob “maior incerteza” devido aos conflitos no Oriente Médio. Este cenário pode gerar um choque negativo de oferta, elevando a inflação e impactando o crescimento, com o BC não descartando rever o recente ciclo de baixa da Selic, atualmente em 14,75% ao ano.
O Impacto no Mercado
O relatório do Banco Central enfatiza que a persistência do conflito no Oriente Médio pode se traduzir em um choque negativo de oferta, com reflexos no aumento da inflação e na desaceleração do crescimento econômico global e doméstico. Embora alguns setores da economia brasileira, especialmente o petrolífero, possam se beneficiar, a interrupção das cadeias de suprimentos e a redução da capacidade de produção na região têm potencial para gerar impactos duradouros nos preços e na atividade econômica. Para 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro fechou em 2,3%, impulsionado principalmente pela agropecuária.
A projeção de 1,6% para 2026 incorpora estimativas dos efeitos de medidas recentes com potencial de sustentar a demanda doméstica, como o aumento real do salário mínimo e a isenção ou o desconto no Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) para quem ganha até R$ 5 mil ou R$ 7 mil, além de um mercado de trabalho aquecido. Em relação à política monetária, após sete aumentos consecutivos entre setembro de 2024 e junho de 2025 e cinco reuniões de manutenção, a Selic foi reduzida para 14,75% ao ano na semana passada. Contudo, as incertezas geopolíticas levam o BC a considerar a reversão desse ciclo de baixa, caso seja necessário, para controlar a inflação.
Leia também
A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é de 3,6% até o fim de 2026, impulsionado pelo aumento dos preços do petróleo, com a probabilidade de a inflação estourar o teto da meta (4,5%) em 2026 subindo de 23% para 30%. O déficit em transações correntes para 2026 foi revisado para R$ 348 bilhões (equivalente a 2,2% do PIB), devido à melhora no saldo comercial e à expectativa de preços mais altos para exportações, especialmente de petróleo. Esse déficit será financiado por investimentos diretos no país (IDP) projetados em R$ 420 bilhões.
Pontos de Atenção
- Inflação Acima da Meta e Risco de Juros Mais Altos: O Banco Central projeta que a inflação, medida pelo IPCA, deve subir até o fim de 2026, atingindo 3,6%, permanecendo acima da meta de 3%. A probabilidade de o IPCA ultrapassar o teto da meta (4,5%) em 2026 aumentou para 30%, elevando a possibilidade de o BC rever a política de corte de juros e, se necessário, voltar a aumentar a Selic.
- Impacto Geopolítico e Setores Econômicos: Embora o setor petrolífero brasileiro possa se beneficiar do aumento dos preços globais, impulsionando as exportações e melhorando o saldo comercial, o conflito no Oriente Médio eleva os riscos para o comércio internacional e as cadeias de produção devido à redução do fluxo no Estreito de Ormuz, podendo afetar negativamente outros setores da economia.
- Desaceleração do Crescimento do Crédito: Apesar de a projeção para o crescimento do saldo de crédito em 2026 ter sido ligeiramente aumentada para 9%, ela ainda indica uma desaceleração pelo segundo ano consecutivo. Isso é consistente com o cenário prospectivo para a atividade econômica e com os efeitos defasados da política monetária de alta da Selic, em um contexto de endividamento e comprometimento de renda elevados.
Visão GranaBit: O cenário econômico para o investidor pessoa física em 2026 é marcado por cautela. A combinação de incertezas geopolíticas, risco de inflação elevada e possível manutenção ou até elevação da Selic exige atenção redobrada. Setores ligados a commodities, especialmente petróleo, podem apresentar oportunidades, mas a volatilidade geral do mercado e os custos de crédito são fatores cruciais a serem monitorados. Diversificação e prudência na alocação de ativos são essenciais.
Fonte: Adaptado de B3 / Bora Investir.
Aviso: Conteúdo informativo, não constitui recomendação de investimento.



