E aí, galera tech do GranaBit! Aqui é o seu especialista em reviews, pronto pra destrinchar o que rolou no maior palco da inovação, a CES, e o que a Hyundai aprontou. Preparem-se, porque o papo de hoje não é sobre carros elétricos superpotentes, mas sobre um robô que já é figurinha carimbada.
É um baita sinal dos tempos quando uma das maiores vendedoras de veículos elétricos (EVs – Electric Vehicles) do mundo aparece na maior feira de eletrônicos pra anunciar não um modelo novo e mais acessível, nem um carro conceito futurista irado, mas sim um robô humanoide. E pra completar, é um que a gente já conhece! Sim, estamos falando do famoso Atlas da Boston Dynamics.
A decisão da Hyundai de usar sua keynote na CES pra exaltar o robô Atlas manda uma mensagem bem clara sobre como a indústria automotiva está absorvendo as notícias não tão boas sobre EVs nos Estados Unidos em 2025, e pra onde ela acha que as coisas estão indo no ano novo. Parece que EVs estão “fora de moda”, e a Inteligência Artificial (AI – Artificial Intelligence) e os robotaxis (táxis autônomos operados por robôs/AI) estão “em alta”.
Leia também
Enquanto isso, a AI continua dominando as manchetes e o burburinho. As montadoras parecem pensar que, para serem levadas a sério pelos investidores super eufóricos de Wall Street, elas precisam ter uma estratégia de AI, ou um chatbot, ou até mesmo um robô humanoide. Vender carros, por si só, não é mais suficiente.
Talvez, um dia, a CES volte a ser um salão do automóvel de verdade. Quem sabe, quando a indústria automotiva estiver menos ansiosa com o comércio global e o aumento dos custos de fabricação, ela estará pronta pra nos dar um vislumbre do futuro automotivo novamente.
Design
Aqui, a gente esbarra numa questão interessante: a Hyundai não apresentou um “novo design” ou um “novo produto” no sentido tradicional. O Atlas, da Boston Dynamics, é um robô humanoide (um robô com formato e características semelhantes às do corpo humano) que já vimos em inúmeros vídeos virais, realizando feitos incríveis como parkour e backflips. A inovação, nesse caso, não está no design físico do robô, que já é amplamente conhecido e admirado por sua engenharia avançada e mobilidade impressionante.
A grande sacada (ou a falta dela, dependendo do seu ponto de vista) é a estratégia por trás da apresentação. Trazer um produto existente, por mais impressionante que ele seja, levanta a questão: isso é realmente o que esperamos de uma keynote na CES? De uma gigante como a Hyundai? É como se a mensagem de design fosse: “vejam o que somos capazes de adquirir ou colaborar, não o que somos capazes de criar de novo e que possa realmente impactar o consumidor final em breve.” É um baita feito de engenharia, sem dúvida, mas o fator “novidade” e “inovação disruptiva” ficou meio de lado pra quem esperava algo da própria montadora.
Performance
Quando falamos de “performance” aqui, não estamos nos referindo a cavalos de potência ou aceleração de 0 a 100 km/h, mas sim à performance estratégica e de mercado da Hyundai e da indústria automotiva como um todo. A mensagem que transparece é que o “desempenho” dos veículos elétricos (EVs) nos EUA em 2025 não está atendendo às expectativas, gerando uma onda de “más notícias”. Os EVs são carros movidos exclusivamente por motores elétricos, eliminando a necessidade de combustíveis fósseis, e representam o futuro da mobilidade sustentável.
Nesse cenário, a “performance” da Inteligência Artificial (AI – sistemas computacionais capazes de simular o raciocínio humano, aprendizado e tomada de decisões) e dos robotaxis (veículos autônomos que operam como táxis sem motorista humano, impulsionados por AI) é vista como a nova fronteira a ser explorada para atrair investidores. A indústria está sentindo a pressão de Wall Street, que está empolgada com a AI, e isso leva as empresas a diversificar suas estratégias, mesmo que isso signifique desviar o foco de seu core business original. A performance, portanto, não é do robô Atlas em si (que é espetacular em suas demonstrações), mas da direção que a Hyundai e o setor estão tomando em resposta às dinâmicas de mercado e ao hype tecnológico.
Conclusão
Olha, como especialista do GranaBit, a gente tem que ser direto: essa jogada da Hyundai na CES, apesar de mostrar a capacidade tecnológica da Boston Dynamics (que ela adquiriu), parece mais um sintoma de ansiedade do que uma declaração de inovação disruptiva. Apresentar um robô humanoide que já vimos mil vezes não é, na minha opinião, o que chamamos de “inovador” no contexto de uma keynote de CES de uma montadora. É mais uma vitrine de “olha, também estamos no bonde da AI”, do que “aqui está o futuro dos veículos ou da nossa própria inovação”.
Em conversão direta, sem impostos, se o Atlas fosse um produto à venda por US$ 1 milhão, estaríamos falando de uns R$ 6 milhões. Mas não há preço, nem menção a isso, o que nos lembra que este não é um produto de consumo, mas sim uma demonstração de capacidade tecnológica.
A gente esperava um novo EV com um Display revolucionário, um Chipset otimizado ou uma bateria com refresh rate (taxa de atualização) absurda, ou algo que realmente nos fizesse sonhar com a próxima geração de carros elétricos. Em vez disso, tivemos um aceno para a AI e a robótica, que, embora importantes, parecem estar tirando o brilho do que a CES deveria ser para as montadoras. É como se a Hyundai estivesse dizendo: “Ei, Wall Street, não nos esqueçam! Também temos AI e robôs!”. Mas e os carros? Cadê a paixão pela mobilidade que a gente tanto ama? Fica a torcida pra que a indústria automotiva encontre seu caminho de volta e nos surpreenda com inovações próprias e relevantes para o nosso dia a dia, em vez de apenas seguir o hype do momento.
Fonte: The Verge (Adaptado por GranaBit)



