E aí, galera tech do GranaBit! Quem aqui curte a liberdade dos fones de ouvido open-ear (aqueles que não bloqueiam o canal auditivo), mas morre de raiva quando precisa pegar o transporte público ou se enfiar num lugar barulhento? Eu sou um desses! Minha maior bronca com esses buds é que eles são simplesmente péssimos para a barulhenta jornada diária na cidade.
Sempre tem aquele audiófilo pedante que aponta: “Ah, mas a premissa dos open-ear é justamente não bloquear o som!” Sim, sim, eu sei! Mas a verdade nua e crua é que, muitas vezes, isso significa que se você quer open-ear para uma situação (tipo, uma caminhada tranquila ou trabalhar em casa), você terá que comprar um segundo par para quando o trem estiver guinchando nos trilhos do metrô, enquanto a banda de mariachi local resolve fazer um show improvisado no seu vagão. Quem se identifica?
Foi por isso que fiquei intrigado quando a Shokz me procurou na CES 2026 para falar sobre seus novos buds Shokz OpenFit Pro, que custarão US$ 249.95 – o que dá uns R$ 1.499,70 em conversão direta, sem impostos – e viriam com “cancelamento de ruído”.
Leia também
Performance
Para ser tecnicamente correto, o termo exato é noise reduction (redução de ruído), e não Active Noise Cancellation (ANC), ou cancelamento ativo de ruído, na sigla em inglês. O verdadeiro ANC exige um sealed ear canal (canal auditivo vedado), o que os OpenFit Pro não fazem. Em vez disso, a Shokz implementou uma solução engenhosa: os buds contam com um triple microphone array (um conjunto de três microfones), um speaker design (design dos alto-falantes) otimizado e um adaptive algorithm (algoritmo adaptativo) para amortecer o ruído ambiente indesejado. Dois dos microfones monitoram os sons externos, enquanto um terceiro, próximo ao seu ouvido, rastreia o que realmente está chegando ao canal auditivo. É uma abordagem curiosa e, ousaria dizer, inovadora para um tipo de fone que, por sua natureza, não deveria ser bom nisso.
Fiquei profundamente cético quando a Shokz me apresentou o produto. Já testei vários buds open-ear da Shokz (que não devem ser confundidos com os fones de condução óssea da marca). Embora sejam ótimos para manter a consciência do entorno em casa ou em áreas tranquilas, eles não são lá essas coisas, Bob, para o transporte diário. Muitas vezes, não consigo ouvir minha música – nem mesmo no volume máximo – e esqueça audiobooks ou podcasts!
Para minha surpresa, seja lá qual for a “magia negra” que a Shokz está usando nesses buds, ela funciona muito bem. A diferença é notável, especialmente se você aumentar a configuração de noise reduction no aplicativo da Shokz.
Não me interpretem mal: o ANC verdadeiro ainda é superior. Sempre será difícil ouvir audiobooks se houver uma banda de mariachi ao vivo no meu vagão de trem (para ser justo, fones com ANC também sofrem com o poder de um mariachi). Mas durante viagens menos barulhentas, tive poucos problemas para ouvir música e consegui acompanhar meus audiobooks em mais situações. Diria que são mais adequados para ambientes moderadamente barulhentos. Pense em cafés, não tanto em bares cheios.
Em casa, fiquei surpreso com a eficácia dos buds em mascarar o ambient hum (zumbido ambiente) do meu purificador de ar e da geladeira. Claro, não é páreo para a TV se você estiver assistindo algo no fundo, mas esse não é o ponto. Este é o tipo de earbud que permite que você se concentre no seu conteúdo, mas ainda ouça quando seu cônjuge gritar de outro cômodo perguntando se você viu as chaves dele.
Em outro ponto positivo, a bass quality (qualidade dos graves) – outra fraqueza dos buds open-ear – também melhorou. Esta iteração dos OpenFit Pro agora suporta uma faixa de frequência de até 40kHz (permitindo a reprodução de agudos mais detalhados) e reduz a distortion (distorção) abaixo de 100Hz (melhorando a clareza dos graves). Há também suporte para Dolby Atmos with head tracking (áudio espacial com rastreamento de cabeça), mas achei isso meio gimmicky (um recurso supérfluo) quando ativei. É legal se você gosta, mas não é tão necessário com buds open-ear.
A duração da bateria é um ponto forte: os buds duram 12 horas sozinhos, caindo para seis horas com a noise reduction ativada. O estojo oferece 50 horas adicionais de carga, o que é excelente.
Design
Os principais problemas que tive nas últimas semanas de teste são, novamente, o fit (ajuste) e o design. Os hooks (ganchos) ainda parecem volumosos atrás da orelha, especialmente quando os uso com óculos. Muitas vezes, não sinto que eles se encaixam tão firmemente quanto eu gostaria. O case (estojo) também é grande, embora eu aprecie as 50 horas extras de carga que ele oferece.
A inovação aqui está na tentativa de mitigar uma desvantagem inerente aos open-ear, mas o design ainda não é o mais elegante ou discreto.
Conclusão
Este é, sem dúvida, um tipo de earbud de nicho. Raras são as pessoas que conseguiriam substituir completamente seus AirPods Pro (ou qualquer outro par de buds com ANC) por estes. No entanto, como alguém que gosta de manter o juízo no lugar e a consciência do entorno ao caminhar, ir ao trabalho ou passear pela casa, eles são muito mais úteis do que as iterações anteriores do dispositivo.
A Shokz fez um trabalho impressionante ao trazer noise reduction para o universo open-ear, tornando-os uma opção viável para ambientes moderadamente barulhentos. Não é um substituto para o ANC total, mas é um avanço significativo para quem busca o equilíbrio entre imersão sonora e percepção do ambiente. Se você se encaixa nesse perfil e o preço não for um problema (lembre-se dos R$ 1.499,70 em conversão direta!), os OpenFit Pro valem a pena conferir. Eles não são revolucionários ao ponto de redefinir o mercado de áudio, mas são um passo ousado e bem-sucedido para a categoria open-ear, provando que dá pra ter o melhor dos dois mundos, pelo menos até certo ponto!
Fonte: The Verge (Adaptado por GranaBit)



