E aí, galera geek! Aqui é o especialista do GranaBit, direto do futuro (ou quase), para dissecar as últimas tendências que estão agitando o mundo da tecnologia e do entretenimento. Preparem-se, porque o que está rolando em Hollywood com a Inteligência Artificial é, no mínimo, controverso. Parece que 2025 foi o ano em que a IA, de uma ferramenta útil, passou a ser um potencial catalisador para uma enxurrada de “slop” digital. Vamos nessa!
O Cenário da Inovação (ou a Falta Dela)
A Inteligência Artificial não é novidade nos bastidores de Hollywood. Há anos, a indústria do entretenimento já usa diferentes tipos de produtos de IA generativa – são softwares capazes de criar novos conteúdos, como textos, imagens ou vídeos, a partir de dados existentes – para uma variedade de processos de pós-produção. Estamos falando de coisas como de-aging actors (rejuvenescer atores digitalmente para cenas específicas, como já vimos em vários filmes), ou até remover green screen backgrounds (fundos de tela verde) de forma mais eficiente. Nessas aplicações, a tecnologia tem sido uma ferramenta valiosa para artistas humanos, aliviando o trabalho tedioso e demorado.
O grande ponto de virada, porém, foi em 2025. Hollywood começou a abraçar com mais força a ideia de usar gen AI – ou seja, essa mesma IA generativa – de um tipo que, francamente, só serve para conjurar text-to-video slop. Deixa eu explicar: text-to-video significa gerar um vídeo a partir de uma descrição em texto. E “slop”? Bem, imagine algo de baixa qualidade, desleixado, feito às pressas e sem o menor capricho. É isso. Esse tipo de conteúdo ainda não encontrou muitos usos práticos nos traditional production workflows (os fluxos de trabalho de produção tradicionais, que são as etapas e processos padronizados para criar um filme ou série). Mesmo com rios de dinheiro e esforço, ainda não surgiu um projeto de gen-AI que justifique todo o hype (o burburinho exagerado, a empolgação em torno de algo) que a cerca. Sinceramente, para nós que somos aficionados por tecnologia e qualidade, isso soa mais como um passo para trás do que um salto inovador.
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Parcerias Estratégicas e Conteúdo “Slop”
Essa união entre Hollywood e IA não começou às mil maravilhas, não. Inicialmente, vários estúdios tinham motivos de sobra para processar as empresas por trás dessa tecnologia, já que seus modelos de geração de vídeo foram, claramente, treinados em copyrighted intellectual property (propriedade intelectual protegida por direitos autorais). Grandes nomes como Disney, Universal e Warner Bros. Discovery chegaram a entrar com ações judiciais contra empresas de IA por essa razão.
Mas, em vez de bater de frente, alguns dos maiores players de Hollywood decidiram se juntar a elas. Estamos apenas no começo dessa nova era de parcerias de gen-AI, mas todos os sinais apontam para que as coisas fiquem bem mais desleixadas num futuro próximo.
Enquanto as manchetes foram dominadas por gigantes como Google e OpenAI, vimos também pequenos players tentando morder um pedaço desse bolo. Tivemos a Asteria, a startup da Natasha Lyonne focada em developing film projects with “ethically” engineered video generation models (desenvolver projetos de filmes com modelos de geração de vídeo “eticamente” projetados) – o que, cá entre nós, já levanta uma sobrancelha sobre o que “eticamente” significa aqui. E startups como a Showrunner, uma plataforma apoiada pela Amazon, projetada para permitir que assinantes criem “shows” animados (um termo bem generoso, diga-se de passagem) a partir de algumas frases descritivas inseridas no Discord (um aplicativo de comunicação popular para comunidades online). Todas essas empresas, novas no pedaço, estavam desesperadas para legitimar a ideia de que sua flavor of gen AI (tipo de IA generativa) poderia turbinar o desenvolvimento de filmes/TV e, de quebra, reduzir os custos de produção.
O problema? A Asteria não apresentou nada além de hype ao público após anunciar seu primeiro filme, e era difícil acreditar que pessoas comuns pagariam por cópias mal feitas de shows criados por animadores de verdade, como os da Showrunner. No segundo caso, parecia que o objetivo real da Showrunner era fechar parcerias lucrativas com grandes estúdios como a Disney, para que sua tecnologia fosse incorporada em plataformas onde usuários pudessem “promptar” conteúdo personalizado com personagens reconhecíveis de grandes franquias. Isso, para quem entende de criação, soa mais como uma apropriação do que inovação.
O “Slop Era” e os Movimentos dos Gigantes
Essa ideia da Showrunner parecia meio ridícula no início, já que seus modelos produziam algo equivalente a cartoons toscos estilo JibJab. Mas, com o tempo, a Disney deixou claro que, por mais crappy (ruim) que geradores text-to-video tendam a ser para qualquer coisa além de memes rápidos, ela estava interessada em experimentar esse tipo de conteúdo. Em dezembro, a Disney fechou um acordo de licenciamento de três anos e US$ 1 bilhão (R$ 6 bilhões, em conversão direta, sem impostos) com a OpenAI. Isso permitirá que usuários do Sora – o modelo da OpenAI que cria vídeos realistas e imaginativos a partir de instruções de texto – façam vídeos com 200 personagens diferentes de Star Wars, Marvel e outras franquias. Preparem-se para ver o Darth Vader dançando funk!
A Netflix não ficou para trás e foi um dos primeiros grandes estúdios a anunciar com orgulho que estava apostando tudo na gen AI. Depois de usar a tecnologia para produzir special effects (efeitos especiais) para uma de suas séries originais – o famoso VFX work (trabalho de Visual Effects, que envolve a criação e manipulação de imagens para simular cenas que seriam perigosas, caras ou impossíveis de filmar na realidade) –, a gigante do streaming publicou uma lista de diretrizes gerais para parceiros que quisessem entrar na onda do slop também. Embora a Netflix não estivesse obrigando os cineastas a usar gen AI, ela deixou claro que economizar dinheiro com VFX work era uma das principais razões para apoiar a tendência. E não demorou para a Amazon seguir o exemplo, lançando várias séries de anime japonesas que foram terribly localized (terrivelmente localizadas, ou seja, adaptadas para outros idiomas de forma pífia) porque o processo de dublagem não envolveu tradutores ou dubladores humanos. É o “novo normal”, parece.
As dublagens de gen-AI da Amazon se tornaram um exemplo brilhante de quão mal essa tecnologia pode se sair. Elas também evidenciaram como alguns estúdios não estão se esforçando para garantir que seus projetos derivados de gen AI sejam polidos o suficiente para serem lançados ao público. O mesmo aconteceu com os machine-generated TV recaps (resumos de TV gerados por máquina) da Amazon, que frequentemente erravam detalhes sobre diferentes programas. Ambos os fiascos deram a impressão de que a Amazon pensava que as pessoas não notariam ou não se importariam com a incapacidade da IA de gerar resultados de alta qualidade de forma consistente. O estúdio rapidamente retirou suas séries dubladas por IA e o recurso de resumo, mas não disse que não tentaria esse tipo de bobagem novamente. Um clássico “erro para aprendizado” que a gente aqui no GranaBit já está cansado de ver.
E para completar a farra, tivemos outras dumb stunts (jogadas bobas) como a “atriz” Tilly Norwood, gerada por IA. Tudo isso deu a sensação de que certos segmentos da indústria do entretenimento estavam se sentindo mais à vontade para empurrar “entretenimento” de gen-AI para as pessoas, mesmo que isso deixasse muita gente profundamente desapontada e afastada. Nenhum desses projetos demonstrou ao público por que alguém, exceto executivos pão-duros (e as pessoas que os idolatram por algum motivo), ficaria entusiasmado com um futuro moldado por essa tecnologia. É a qualidade sendo sacrificada em nome do lucro, novamente.
Conclusão
Ainda não vimos tudo o que virá de algumas dessas colaborações, como a Disney se aconchegando à OpenAI, além de algumas imagens pouco impressionantes. Mas no próximo ano, a presença da IA em Hollywood será ainda mais pronunciada. A Disney planeja dedicar uma seção inteira de seu serviço de streaming a user-generated content (conteúdo gerado por usuário) vindo do Sora, e incentivará seus funcionários a usar os ChatGPT products (os produtos ChatGPT, que são modelos de linguagem de IA da OpenAI capazes de gerar texto, responder perguntas e interagir em conversas).
Mas o verdadeiro significado do acordo neste momento é a mensagem que ele envia a outros estúdios sobre como eles devem se mover, enquanto Hollywood entra em sua “era slop”. Quer a Disney acredite que isso vai dar certo ou não, o estúdio sinalizou que não quer ficar para trás se a adoção da IA continuar acelerando. Isso diz a outras produtoras que elas devem seguir o exemplo, e se isso acontecer, não há como saber quanto mais desse stuff (material) seremos forçados a aguentar.
Em suma, a IA generativa em Hollywood parece estar focando mais em otimização de custos e velocidade do que em uma verdadeira revolução criativa. A inovação está lá, sim, mas ainda está muito verde e, na maioria dos casos, resultando em produções de qualidade questionável. Para nós, entusiastas de tecnologia e bom conteúdo, resta torcer para que essa “era slop” seja uma fase passageira e que a indústria encontre um equilíbrio entre o potencial da IA e a insubstituível genialidade humana. Até lá, continuaremos de olho, e com a pipoca na mão (e talvez um antiácido).
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Fonte: The Verge (Adaptado por GranaBit)



