E aí, galera da GranaBit! Seu Especialista em Reviews de Tecnologia está de volta, mas hoje com uma review um tanto… atípica. No nosso laboratório de análise, colocamos sob o microscópio não um gadget de ponta, mas sim a primeira temporada de Pluribus, o mais novo drama sci-fi da Apple TV, que conta com a assinatura do gênio Vince Gilligan, o arquiteto por trás de obras-primas como Breaking Bad. E já adiantando: este “produto” não é apenas inovador, ele redefine o que esperamos de uma narrativa pós-apocalíptica.
Que bom que já temos a confirmação de uma segunda temporada de Pluribus a caminho, porque o finale dessa série deixou claro que a brincadeira está só começando. O episódio amarrou várias pontas soltas, mas, mais importante, abriu um leque de novas questões potencialmente explosivas (literalmente!) para o que vem por aí.
ATENÇÃO: SPOILERS da primeira temporada de Pluribus a seguir!
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Design: A Arquitetura de um Mundo Singular
Pra quem chegou agora (ou precisa de um refresh mental), a premissa de Pluribus é daquelas que te prendem como um loop de código malicioso: um vírus de origem extraterrestre (e desconhecida) atinge a Terra, transformando quase toda a humanidade em uma hive mind, ou seja, uma mente coletiva interconectada. Essa “colmeia” é programada para a paz, a ponto de não matar um inseto ou colher uma fruta de uma árvore, e é vulnerável a emoções negativas – qualquer energia ruim pode causar glitches ou até danos físicos a eles.
Sobram uns doze humanos “imunes”, e os protagonistas que mais acompanhamos são a americana Carol (interpretada pela sempre impecável Rhea Seehorn) e o paraguaio Manousos (Carlos-Manuel Vesga). Por boa parte da temporada, eles estiveram fisicamente separados, mas unidos na oposição ferrenha à presença da colmeia, buscando um jeito de “resetar” o mundo, devolvê-lo ao que era antes.
Aqui, o design da série brilha. Enquanto outros dramas pós-apocalípticos focam em zumbis ou desastres naturais, Pluribus explora uma ameaça existencial e filosófica. A hive mind não é um inimigo a ser combatido fisicamente, mas uma nova forma de existência, um sistema operacional complexo que desafia nossa própria definição de humanidade. É uma abordagem fresh, que demonstra um chipset narrativo original e um world-building de altíssimo nível.
Performance: O Runtime do Conflito e a Revolução do Finale
O grande lance do finale é o tão esperado encontro entre Carol e Manousos. Mas as coisas mudaram radicalmente para Carol. No episódio anterior, ela já estava numa vibe mais “paz e amor” com a colmeia, especialmente por ter se aproximado de sua chaperona Zosia (Karolina Wydra). No finale, elas já são um casal completo! É um contraste absurdo com o começo da série, onde Carol era tão hostil que a colmeia chegou a evacuar Albuquerque pra evitar problemas e manter a estabilidade do sistema.
Mas essa nova Carol, com seu crush pela Zosia e uma visão mais “compreensiva” da colmeia, joga um balde de água fria nas expectativas de Manousos. Ele esperava uma aliada de peso pra “salvar o mundo”, mas encontra uma Carol relutante até em conversar. A dinâmica espelha o segundo episódio da série, onde Carol tentou em vão convencer outros sobreviventes a restaurar o mundo pré-vírus — só que agora os papéis se inverteram. Junte a isso a teimosia de ambos (um verdadeiro conflito de drivers) e o fato de que eles dependem do Google Translate (um serviço de tradução da Google, amplamente usado) para se comunicar, e o resultado é um desastre de comunicação épico. Depois da primeira tentativa, Manousos solta um “isso está indo muito bem”, com aquele sarcasmo que só a gente, bons de tecnologia, entende.
No entanto, o episódio consegue alinhar os dois, pelo menos em parte. Carol descobre que, apesar do romance com Zosia, a colmeia ainda está focadíssima em “recrutá-la” (o episódio já começa mostrando outro sobrevivente sendo integrado via um novo procedimento). Tudo isso escala até Carol receber um pacote suspeito, que revela ser nada menos que uma bomba atômica! Parece que ela não estava brincando quando fez aquela ameaça no começo da temporada, hein? Um verdadeiro easter egg narrativo que se materializa como uma feature letal.
Conclusão: Uma Atualização Imperdível
A primeira temporada de Pluribus foi uma verdadeira aula de world-building e desenvolvimento de personagens. Embora o mercado esteja saturado de produções pós-apocalípticas (vide Fallout, Silo, The Last of Us), nada se compara a essa versão peculiar da Terra, dominada por uma hive mind alienígena. É um conceito que, para o especialista em tecnologia, se traduz em uma inovação radical no gênero.
Ao longo de nove episódios, acompanhamos a jornada emocional de Carol, sua aceitação da nova realidade e, principalmente, sua pesquisa sobre o funcionamento da colmeia. Isso nos ajuda, como audiência, a decifrar a complexidade desse universo. Toda história precisa de uma boa introdução, mas a natureza única de Pluribus exige um nível de imersão e detalhe muito maior, e a série entrega isso com maestria, com um ritmo medido que permite aprofundar em cada byte da trama.
Mas a revelação da bomba atômica no final sinaliza uma guinada dramática para a segunda temporada. Não que Pluribus vá se transformar de repente numa série de ação frenética; seu ritmo cadenciado é parte do charme e permite que explore os mínimos detalhes desse universo. Contudo, várias das pontas soltas e questões em aberto exigem mais do que apenas aprender sobre a colmeia. Manousos pode ter encontrado um jeito de “desconectar” indivíduos da hive mind usando sinais de rádio; a própria colmeia está erguendo uma “antena gigante” para talvez se comunicar com a origem do vírus; os demais sobreviventes precisam decidir se querem ou não se juntar; a colmeia enfrenta uma crise alimentar iminente; e, ah, tem aquela bomba que Carol pode (ou não) ter um plano para usar.
Pluribus é um software narrativo robusto, com uma interface intrigante e protocolos de história que te fazem questionar tudo. Se você busca uma experiência sci-fi que te tira da zona de conforto e explora as profundezas da condição humana em um cenário verdadeiramente original, não perca tempo e faça o download dessa primeira temporada na Apple TV. É um investimento de tempo que vale cada segundo, e já estamos ansiosos para a próxima “atualização”!
Fonte: The Verge (Adaptado por GranaBit)



